Três coisas surpreendentes sobre a eleição de Donald Trump

E aí? Pronto para mais um textão sobre Trump? Tem muita gente falando sobre o assunto, não é mesmo? Mas é importante chamar a atenção para alguns dados incríveis sobre essa bagunça toda.

cacareco

1 – Os EUA tem uma tradição de eleger Cacarecos

Lembra o rinoceronte Cacareco, que o eleitor paulista insatisfeito elegeu para a Câmara dos Vereadores em 1959 com mais de 100 mil votos? Claro que não. Você nem era nascido. Mas então. Teve isso. São Paulo elegeu um rinoceronte do zoológico da cidade como vereador nos anos 50. Uma espécie de avô da candidatura do João Dória Jr. Na terra do Tio Sam o voto de protesto é uma paixão nacional. Lembre-se, os EUA são fruto de revoluções separatistas e conflito armado. A desconfiança em relação à autoridade é uma questão central no discurso político norte-americano. Não que as autoridades não forneçam constantes razões para que esse sentimento permaneça vivo. Mas Trump está longe de ser o primeiro presidente deles eleito num subtexto de “voto de protesto”.

Volta e meia surge a promessa de um candidato “de fora”, que não é político profissional e – portanto – não tem os vícios do sistema. Um cara de apelo popular, que o eleitor sente que poderia “tomar uma cerveja com ele”. Um cara carismático e com jeito “macho-povão”. Antes de Trump, tivemos Bush Jr. (jeitão de cowboy simplório), Ronald Reagan (ator de cinema) e, no governo da Califórnia, Arnold Schwarzenegger (o Exterminador do Futuro, quase que literalmente para a população do Estado). Não por coincidência, todos republicanos.

Então, dizer que uma celebridade grosseira não é necessariamente uma novidade nos EUA.

eleicao-trump-hillary

2 – Trump ganhou a eleição, mas teve menos votos.

Foi uma eleição apertada. A diferença do total de votos foi de 1%, ou cerca de 200 mil votos. A favor da Hillary (som de disco arranhado). Como isso é possível? Seja bem vindo ao sistema de colegiado eleitoral. Um processo absurdamente complexo sistema eleitoral americano de voto indireto, onde não basta ter o maior número de votos. É preciso ter o maior número de votos nos Estados certos. E, não bastasse isso, 46,9% de eleitores simplesmente não votaram. Sabe qual foi o índice de votos de Donald? 25,5%. Clinton teve 25,6%. Adolf Hitler teve mais votos que Trump.

E você se pergunta: como isso pode fazer sentido? Bem, tem muito político brasileiro interessado em instituir o mesmo sistema por aqui. Não por coincidência, os mesmos que acham que alguns Estados têm que ter mais voz na eleição que outros.

trump

3 – Trump vai unir o país (para odiá-lo)

E, desses 25,5% dos eleitores que realmente votaram em Trump, uma parcela ainda menor é formada por xenófobos, homofóbicos e outros integrantes da “cesta de deploráveis” que a Hillary teve a infelicidade de mencionar num momento de frustração.

A imensa maioria dos eleitores “sãos” de Trump foi movida por algo que podemos chamar de “nostalgia do sonho americano”. Lembra da abertura do Flintstones? O Fred está trabalhando na pedreira, toca o sino, ele desliza até seu carro, vai até sua casa e pega sua esposa “do lar” de cintura fina e colar pérolas para um cinema e uma costela de dinossauro com os vizinhos. O sonho americano do operário com acesso a bens de consumo. Um sonho que a globalização levou embora quando quase todo parque industrial americano foi exportado para países de mão de obra mais barata. É isso que essas pessoas querem. Querem essas fábricas de volta. Só que não tem nada que o Donald possa fazer. Esses empregos não voltarão. Aí essa frustração se manifesta na forma de xenofobia. Os imigrantes estão tomando os trabalhos dos brancos, o que não é verdade, claro. Mas é uma forma de manifestar essa nostalgia em uma reivindicação concreta.

Em breve, os 72,5% dos americanos que não votaram no Trump começarão a receber o reforço gradativo dos eleitores desiludidos com a falta de soluções de seu presidente eleito. Não vai ter muro. Não vai ter deportação em massa. Não vai ter retorno de fábricas. Sabe o que vai ter? Sabe o que sempre tem quando um presidente americano tem que lidar com uma insatisfação popular que ameaça sua governabilidade? Guerra. Vai ter guerra. Foi assim no Vietnã, foi assim no Iraque, foi assim no Afeganistão. É como os EUA aquecem sua economia e reascendem o sentimento de patriotismo em seus cidadãos: invadindo. Vamos aguardar para saber quem será o próximo invadido. Meu palpite é Síria.

Vamos só aguardar para saber o que a Rússia, que é a guarda-costas do ditador local, vai pedir em troca.

 

 

 

 

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