Pesquisador revela os padrões da boa escrita em livros clássicos

Na maioria dos cursos de Letras, é possível achar alunos dissecando obras literárias: monólogos de Shakespeare, fluxos de consciência de Joyce e as frases curtas de Hemingway. Sem dúvida, há muito através deste tipo de análise.

Mas o pesquisador Ben Blatt propõe uma nova técnica de análise. Focando em certas frases e parágrafos, ele afirma em seu novo livro, Nabokov’s Favorite Word is Mauve, leitores estão negligenciando todas as outras palavras o que, no universo da quantidade de palavras de um romance, significa deixar de lado milhares de dados.

O jornalista criou uma base de dados com os clássicos e os livros mais vendidos do século XX para responder uma série de perguntas. Sua análise revelou alguns padrões interessantes no trabalho desses famosos autores.

Analisando simplesmente através dos números, as melhores primeiras frases de romances costumam ser curtas. Autores prolíficos como James Patterson usam uma média de 160 clichês em cada 100 mil palavras (cerca de 115 a mais que a aclamada Jane Austen), e Vladimir Nabokov usou “mauve” (malva em português, uma espécie de rosa escuro) 44 vezes mais que a média dos escritores nos últimos dois séculos.

“De fato, existe uma tendência entre autores como Hemingway, Morrison e Steinbeck, em seus livros mais bem conceituados, que haja uma presença bem menor de advérbios terminados em “nte”. Se compararmos trabalhos amadores de ficção e os textos ficcionais que encontramos online com os campeões de venda e as obras premiadas, existe uma discrepância, onde menos advérbios são usados entre os autores publicados. Obviamente isso não significa que basta cortar advérbios para escrever um bom livro. Mas há algo a ser notado no fato de que escritores que estão escrevendo de forma mais direta produzem livros que sobrevivem melhor ao teste do tempo”, explicou Blatt.

Confira abaixo alguns gráficos interessantes sobre as descobertas do jornalista:

 

Números de advérbios (-nte) em cada 100 mil palavras

 

Porcentagem de autores que começam o livro falando do clima.

 

Via www.smithsonianmag.com.

 

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