14 livros brasileiros indicados por gringos

Brasileiros costumam reclamar que as grandes livrarias estão cheias de obras estrangeiras e quase não há espaço para literatura nacional de qualidade. No entanto, há muitos autores brazucas que são reconhecidos e aclamados lá fora. O site Plus55 organizou uma lista dos livros brasileiros que mais recomendados lá fora. Alguns são unanimidades aqui na terrinha. Outros são gratas surpresas que você talvez ainda não tenha tido a oportunidade de conferir. O texto das recomendações é traduzido do original e dá uma boa ideia de como essas obras e seus autores foram apresentados para a galera do Tio Sam. Anote aí:

O Quinze, Rachel de Queiroz (1930)

A jornalista, autora e diplomata brasileira Rachel de Queiroz publicou seu primeiro livro, O Quinze, em 1930. Ela tinha apenas 20 anos. Nascida em Fortaleza, no Ceará, Queiroz teve uma vida prolífica, reconhecida por suas crônicas em jornais, romances e contos. Em 1964, Queiroz representou o Brazil na ONU e se tornou a primeira imortal na Academia Brasileira de Letras.

Em O Quinze, Queiroz exibe um retrato do nordestino na virada do século. Diante da grande seca de 1915, o retirante Chico Bento e sua família rumam para a Amazônia.

O Drible, Sérgio Rodrigues (2013)

Recentemente publicado, o Drible apresenta um experiente comentarista esportivo que equivale os talentos futebolísticos de lendas como Didi, Zidane, e Falcão à prosa de Vladimir Nabokov. Com esse livro, Rodrigues venceu o Grande Prêmio Portugal Telecom de literatura.

 

O Tempo e o Vento, Erico Verissimo (1951)

Este popular épico do século XX é dividido em três partes: O Continente, O Retrato e o Arquipélago. A trilogia narra a formação do estado do Rio Grande do Sul. Veríssimo cobre duzentos anos de história numa terra marcada pela oligarquia, conflitos internos e tensões territoriais.

 

Capitães de Areia, Jorge Amado (1937)

Nessa obra revolucionária, Amado retrata a vida de crianças de rua em Salvador. Nesta gangue de cem meninos moradores de rua, entre 7 e 15 anos de idade, há líderes, professores, sonhadores e amantes. Na época, Amado foi duramente criticado por misturar aspectos da cultura Afro-Brasileira como Candomblé e capoeira na sua obra. No ano de lançamento, mais de 800 cópias do livro foram queimadas em praça pública.

 

Lampião e Lancelote, Fernando Vilela (2006)

Os lendários heróis populares de dois mundos muito diferentes se encontram. Lampião é um cangaceiro da vida real do nordeste brasileiro, que contava com o apoio popular e acabou se transformando numa espécie de Robin Hood local. Nesta obra, ele encontra o cavaleiro medieval Lancelote e o desafia para um duelo. Vilela ganhou dois prêmios Jabuti, o mais importante da literatura brasileira.

 

1808, Laurentino Gomes (2007)

 

Nesse retrato cômico da história, a Rainha Maria de Portugal e seu covarde filho João fogem para o Brazil para evitar a ameaça de Napoleão. Como resultado, Brazil vira Estado, finalmente,. Gomes ganhou o prêmio Jabuti de romance-reportagem e também o prêmio de livro de Não-Ficção do Ano.

Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios, Marçal Aquino (2005)

O roteirista e jornalista Marçal Aquino conduz com maestria o suspense sombrio sobre um affair mortal entre o fotógrafo Cauby e sua amante Lavínia. Aquino escreve seus livros para a tela, de forma a atrair mais pessoas para seus personagens. Esta obra vendeu 25 mil cópias e atingiu milhões na adaptação para TV.

 

Cidade de Deus, Paulo Lins (1997)

Lins retrata a transformação da favela onde nasceu: Cidade de Deus, no Rio de Janeiro. O autor traça as origens da comunidade de baixa criminalidade nos anos 60 até o cartel de drogas e violência dos anos 90. Paulo passou oito anos coletando informações para seu livro, trabalhando como um assistente num estudo antropológico sobre a criminalidade nas favelas. O livro inspirou um dos mais famosos filmes brasileiros de mesmo nome, que estreiou cinco anos depois do livro.

 

Pornopopeia, Reinaldo Moraes (2009)

Pornopopeia explodiu na cena literária brasileira como uma espécie de Trainspotting paulista. O livro conta a história de um cineasta aspirante que ganha a vida fazendo comerciais para marcas desconhecidas. Quando o protagonista aceita fazer um comercial para uma empresa de salsichas, ele acaba envolvido num universo de sexo e drogas. Seu envolvimento acaba levando-o a participar do assassinado de um traficante e a fugir para uma cidadezinha litorânea onde ele se une ao movimento beatnik.

 Macunaíma, Mario de Andrade (1928)

No estilo do realismo mágico e dos dialetos regionais, Mario de Andrade conta a história de Macunaíma, nascido na selva brasileira com o poder de mudar de forma e aparência. O protagonista viaja a São Paulo e retorna, levando os leitores aos extremos da vida brasileira. De fato, Macunaíma representa o personagem brasileiro. Andrade baseou seu trabalho em sua pesquisa linguística, cultural e da cultura indígena do país.

Fotógrafa

A paixão segundo G.H., Clarice Lispector (1964)

Clarice Lispector apresenta a mente de uma mulher que só conhecemos pelas iniciais G.H. O livro se apresenta na forma de um monólogo, recontando sua crise depois de matar uma barata no armário.

Memórias póstumas de Brás Cubas, Machado de Assis (1881)

O protagonista morto Brás Cubas narra sua própria vida do além túmulo, revivendo seus erros e seus romances fracassados. Publicado em 1881, o romance brinca com elementos do surrealismo como a metáfora e a construção narrativa, muito diferente do realismo de seus contemporâneos.

 

 O Cortiço, Aluísio Azevedo (1890)

 

Azevedo narra a vida dos portugueses imigrantes, ex-escravos e mestiços vivendo na mesma comunidade. Ele descreve as cruas dinâmicas sociais entre brancos e negros. Na realidade o cortiço é tanto um personagem quanto as pessoas que vivem nele. Um livro perfeito para ler compulsivamente.

 

 Dom Casmurro, Machado de Assis (1899)

De fato, um dos melhores trabalhos da literatura brasileira. Machado de Assis conta a história de um adultério através dos olhos do marido traído. O marido conta como sua mulher Capitu o traiu com seu melhor amigo. Ela acaba dando luz um filho que o narrador acredita não ser seu. No entanto, o narrador não parece ter provas concretas. Na verdade, sua história de traição quase soa como paranóia. Como resultado o leitor nunca sabe se Capitu traiu ou não o marido. O autor garante que o livro contém todas as peças do quebra-cabeça. Você consegue resolver o mistério?

 

Você já leu algum desses livros? Qual obra brasileira você indicaria para um gringo?

 

 

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