Toska abre espaço para os textos dos leitores

A Toska Literatura foi criada com um objetivo: produzir e divulgar conteúdo de qualidade sem as obstruções normais do mercado literário. Não precisa ser youtuber, nem filho de ator famoso ou ghostwriter de político. Aqui, o foco é talento.

Já tem um tempo que estudávamos uma forma de abrir este conceito para um número maior de autores. E a hora chegou.

Nossa nova editoria “Toska Apresenta” vai destacar os trabalhos dos membros da nossa comunidade. Sejam escritores já publicados ou neófitos dando os primeiros passos na literatura, nosso blog estará de portas abertas para artigos, ensaios e crônicas dos nossos leitores.

Se você quiser submeter seu trabalho, envie um e-mail para toskaliteratura@gmail.com com o texto, uma foto e uma breve biografia.

Nosso primeiro autor é Everton Missiagia, que nos enviou um artigo sobre a obra da escritora Rosa Amanda Strausz, e seu livro “Sete Ossos e uma Maldição”.

 

Muita gente diz que a literatura não é o forte do povo brasileiro, que não somos leitores por natureza e que o mercado editorial em solo tupiniquim é um freezer em lento descongelamento, ainda estabelecendo raízes e tentando entender sua própria identidade.

Ainda mais místicos e desconhecidos, segundo diz a lenda, são determinados gêneros que não têm uma grande tradição entre os nossos leitores e autores, como a Ficção Científica, a Fantasia e aquele sobre o qual este texto se debruça: o terror.

Quem espalha esses boatos não costuma atribuir razões específicas para esse suposto fenômeno; será que o terror simplesmente não é um tipo de história do qual gostamos? Ou talvez nunca tenhamos tido um grande escritor de histórias de terror, como os americanos com seu Stephen King e os alemães com seu Theodor Storm.

Mas isso é mesmo verdade?

 

SETE OSSOS E UMA MALDIÇÃO

Minha vida de leitor começou relativamente tarde, por volta dos meus 16 anos durante os quais me encontrava em meio à minha jornada pelos terrores da adolescência. Nas primeiras semanas em que me senti encantado pelos poderes imaginativos da literatura, em uma tarde na biblioteca da escola, fugindo dos gigantes sempre citados Manuel Bandeira, Monteiro Lobato e sua trupe, me deparei com um pequeno volume de capa preta, sem pretensão alguma, esquecido sobre uma camada de poeira e fadado ao esquecimento.

Agarrei-o por pura curiosidade, sendo recompensado por uma arte de capa parecida com os videogames que jogava na época, carregando meu olhar para um título que ressuscitaria meu amor por filmes de terror dos anos 80/90 e despertaria toda uma busca por histórias de horror que se estende até os dias de hoje: Sete Ossos e uma Maldição.

“Medo. Um medo avassalador, sutilmente construído. É isso que você vai sentir quando penetrar na atmosfera de terror deste livro. Sem escapatória, completamente seduzido, vai entender que não haverá mais volta. O horror e o sobrenatural farão de você a sua morada. Para sempre. Maldição? Talvez redenção. A escolha é sua.”¹

 

Sete Ossos e uma Maldição é uma coletânea de contos publicada em 2006 com 10 narrativas que literalmente fizeram meus pelos se arrepiarem. Embora o gênero terror esteja hoje bastante disseminado no cinema e na cultura pop e tenha ganhado uma aura de falta de originalidade, a autora conseguiu alcançar a façanha (talvez a mais difícil na escrita de terror) de construir a tensão ao longo da leitura, oferecendo ao leitor pequenos elementos de cada vez que prendem sua atenção e o transportam para os sombrios ambientes de suas histórias.

“Crianças à venda, tratar aqui”, “Os três cachorros do senhor Heitor” e “A procissão” são alguns dos títulos que reúnem fragmentos de lendas urbanas brasileiras com uma escrita envolvente que procura mais causar emoções do que mostrar monstros, brincando com o imaginário do leitor em um estilo Lovecraftiano, na linha entre a realidade e o sobrenatural.

Jornalista de formação, Strausz combina uma escrita rica na descrição de cenas com diálogos que funcionam bem para sua proposta. Sem mais desculpas de que brasileiros não produzem boas narrativas de horror.

 

A AUTORA

Rosa Amanda Strausz é de origem carioca e nasceu em 1959. Embora a coletânea tratada neste texto seja de conteúdo relativamente adulto, ela construiu uma grande carreira como escritora de narrativas infanto-juvenis, como “O nó na cabeça” e “Para que serve uma barriga tão grande?”.²

 

¹ Trecho descritivo retirado da contracapa da edição de 2006.

² Informações retiradas do perfil da autora na edição usada para este texto.

 

 

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