10 dicas para dar nome a personagens

Pra quem é escritor uma das partes mais complicadas do ofício dar nome aos personagens. Pros leitores pode ser algo semelhante a dar nomes para amigos e filhos imaginários, mas não é bem assim.

O grande erro que muitos autores cometem é pensar que são eles, os escritores, que batizam seus personagens. Isso não é verdade. Mas então, quem escolhe? Ora, os pais do personagem. Logo, é preciso pensar a história pregressa de um personagem antes de escolher seu nome. Em outras palavras, não se criam personagens no vácuo. Há um mundo onde eles estão inseridos e este mundo molda muito de suas personalidades. Inclusive os nomes. Confira nossas 10 dicas de como escolher nomes para suas criaturas ficcionais:

1. Certifique-se de que o nome combina com a época

Pra começar, defina a era em que a história se passa. Se o seu personagem nasceu em 1935 nos Estados Unidos, há nomes mais adequados do que Mike ou Beyonce.

2. Prefira nomes fáceis de serem pronunciados

Leitores pronunciam o nome mentalmente durante a leitura. Se tropeçam em um nome ou palavra, isso os tira da história. Você não quer que isso aconteça, acredite.

3. Considere o histórico do personagem

A etnicidade, a localização geográfica, a renda, tudo isso impacta a escolha de um nome em uma família. O mesmo deve acontecer dentro da sua história.

4. Evite nomes semelhantes para personagens diferentes

Usar nomes que soam parecidos pode confundir o leitor. Uma regra que eu uso, por exemplo, é evitar nomes que começam com a mesma letra para personagens que interagem.  Luís e Laís, por exemplo, convém evitar unir numa mesma história, a menos que provocar tal confusão seja intencional. No caso de gêmeos, por exemplo.

5. Batize irmãos com nomes do mesmo estilo

Parece uma contradição em relação à dica anterior, mas não é. Especialmente se levarmos em consideração que muitas famílias adotam critérios semelhantes para dar nome à sua prole. Nomes que rimam (Adilson e Joilson), inspirados em figuras históricas relacionadas (Romulo e Remo) são expedientes comuns nas famílias da vida real. Logo, agregam um senso de realismo e familiaridade na construção da sua história.

6. Considere o gênero

Não, não estou falando de feminino ou masculino, mas gênero da narrativa. Personagens em um romance policial, costumeiramente, tem nomes diferentes de heróis e vilões de ficção científica.  Quando escrevi a fantasia Steampunk “O Dragão do Norte”, por exemplo, precisei levar em consideração a diferença entre nomes de elfos e humanos. Especialmente humanos nascidos e criados num Brasil alternativo, semi-medieval. Por isso, ao mesmo tempo que temos elfos como Thriondel e Nebriniel, temos um cavaleiro chamado Carlos, nome de rei que teria sido incorporado à cultura de um país de tradição monarquista.

7. Evite associações com nomes famosos

Tem certos nomes na nossa cultuar que são muito marcados a determinadas personalidades. Madonna, Cher e Hebe são alguns exemplos. A menos que haja um motivo na história para a adoção de nomes tão marcantes, é melhor evitar. O mesmo serve para personagens da ficção como Peter Parker ou Katniss.

8. Nomes em ficção científica não precisam soar alienígenas

É difícil adivinhar que nomes existirão no futuro. Mas uma coisa é certa. Os pais ainda vão amar seus filhos. Então, é pouco provável que alguma criança seja batizada com algo impronunciável, já que isso dificultaria sua vida desnecessariamente. Um nome como Zyxnrid, por exemplo, não atrapalha apenas a vida do leitor, mas também do personagem. Uma estratégia que eu uso para inventar nome e combinar partes de nomes comuns.  Exemplo: Uma mulher chamada Dônica (Donna e Veronica) soa familiar e estranho o suficiente para passar por uma personagem de um futuro distante. Outra maneira de fazer isso é recorrer a nomes mitológicos e combiná-los, como Ceres e Ariadne.
Lembre-se: prefira nomes fáceis de pronunciar e escrever, como Bilbo Baggins.

9. Evite usar o nome dos personagens no diálogo

Tá, não é exatamente uma dica de como escolher nomes, mas como usá-los. Ainda assim, acho importante lembrar: Se dois personagens tem uma relação próxima, eles não usam nomes.  Na vida real, casais raramente usam os nomes de seus parceiros. Geralmente utilizam-se apelidos. “Meu amor, meu bem”. O mesmo para pais e filhos. A não ser quando a intenção é soar distante e frio. Outro recurso que não cai bem é usar termos datados como “mana”, ou “sócio”. Não soa natural. Normalmente, quando usam tais recursos, os autores estão buscando uma maneira de dizer ao leitor qual é a relação entre os personagens. Algo do tipo: “Bom dia, meu irmão. Quer café?” comunica que os personagens são parentes, mas soa forçado. Prefira algo como “Bom dia. Mamãe já levantou?”

10. Divirta-se escolhendo nomes

Tire um tempinho para ver o que “encaixa”. Qual era o apelido de infância do seu personagem. Ele se envergonha disso? Por que? Sua personagem quis mudar de sobrenome quando casou? Sim ou não? Por que? Nomes são parte importante da identidade. Experimente variações que contribuam com a dimensionalidade de suas criações. Um nome pode ajudar a complementar um personagem, se for bem escolhido. Então, deixe de lado os geradores de nomes aleatórios da internet e dedique um pouco de carinho e imaginação ao dar nome aos seus personagens. 

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